sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Arroz de Palma - Família é um prato difícil de preparar...

Um livro lindíssimo, que eu acabo de ler...e indico a você...a você que gosta da leitura leve, de um romance bem conduzido, de uma história cheia de sensibilidade...
O livro conta os cem anos de uma família comum, que poderia ser a minha, a sua, a de qualquer um...
Como bem dito por Leticia Wierzchowski, em frase na capa do livro, O Arroz de Palma é "uma história de família como um almoço de domingo."
Leia alguns trechos, e me diga: Você também acha que família é um prato difícil de preparar?

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e
aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.
Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais
sentimental? A mais prestativa?
O que nunca quis nada com o trabalho?
Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora
que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.
Bobagem. Tudo ilusão. Não existe “Família à Oswaldo Aranha", "Família à
Rossini”, Família à “Belle Meunière” ou “Família ao Molho Pardo” em que o
sangue é fundamental para o preparo da iguaria.

Família é afinidade, é “à Moda da Casa”.
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”, que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente,
quentíssimo.

Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já
meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

17 comentários:

  1. Que lindo, Renata! É o tipo de livro que gosto de ler. Obrigada pela dica! bjinhos e um ótimo fim de semana!

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  2. Bom dia, Renata!
    Li este livro maravilhoso e emprestei-o à Glorinha que também amou.
    Realmente uma ótima dica para quem quer se enternecer e relembrar seus próprios momentos em família.
    um beijo grande carioca

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  3. Oi querida
    A capa do livro ja' é convidativa.
    Irei pedir para a minha mae comprar para mim! Gostei muito, valeu a dica!
    Bjim
    Léia

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  4. Olá querida Renata,

    Fiquei 'ardendo' de vontade de ler este livro. A autora, aliás, já tinha me desepertado a curiosidade desde o 'A Casa das Sete Mulheres', além disso, família é assunto no qual estou sempre refletindo, rsrs. Ótima dica, obrigada.

    Um beijo e bom fim de semana.

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  5. adorei a dica, vc é muito especial, suas dicas são certeiras. bjs

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  6. Concordo, Renata, é dificílimo, sobretudo quando as coisas começam mal de base!
    Bjsss,
    Madalena

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  7. Grato pela dica.

    Beijinho.

    Bom fim de semana.

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  8. Amei Renata, já vou procurar o livro, fiquei louca pra ler.
    Bjs e bom final de semana

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  9. Essa pequena porção servida e se fica salivando pelo prato todo.
    Também vou procurar pelo livro. Ótima dica.
    Bjo

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  10. Ola,querida Renata.
    Ja e a segunda indicaçao que pego com vc sobre livros para comprar.Fico ansiosa em ir para o Brasil e fazer a festa na livraria.Pelo trecho que vc postou,deve ser um livro maravilhoso e cheio de emoçao.Grande beijo e um feliz fim de semana.zenaide storino.

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  11. Renata,
    Que bela dica, não conhecia o livro,e gostei muito dos trechos que você postou.

    ah, pode deixar que assim que chegar, eu te mando um email.
    beijos

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  12. Ótima dica de livro! Adoramos ler! Obrigado!

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  13. Querida Renata,
    Que prazer encontrar o seu blog! Não poderia ter sido em hora mais oportuna! Agradeço a você e aos seus leitores as palavras generosas com relação ao romance "O arroz de Palma". Em momento tão violento e dramático e triste como este que estamos vivendo aqui no meu querido Rio de Janeiro, foi uma surpresa e uma alegria muito grande receber de vocês todo esse carinho: pessoas que ainda acreditam na delicadeza, na solidariedade, no respeito pelas diferenças e pelo modo de pensar de cada um. Se Deus quiser, haveremos de superar essa fase dificílima de tantos medos e dores. E esses comentários de estímulo, vindos dessa terra que me é tão especial, me dão ânimo redobrado para perseverar no meu trabalho e acreditar que o bom, o belo e o verdadeiro sempre prevalecem, ainda que leve tempo. Um beijo carioca muito afetuoso e agradecido do
    Francisco Azevedo.
    p.s.: família somos todos!

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  14. Pode sugerir à vontade:
    filme, livro, teatro ou música, eu vou a todas. É mesmo minha paixão.

    Adorei a frase do final:
    "Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

    ih ih ih que maldade, mas...eu concordo, ih ih ih.

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  15. Rê,
    Já tinha lido trechos desse livro e pretendia colocar num post também. Achei bem interessante e verdadeiro.
    Estou de volta da viagem, mas vou entrando na rotina aos poucos.
    Tão logo receba as fotos do show mostro pra todo mundo.
    Bjs.

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  16. Olá Renata! vim retribuir a visita e dizer que estou apaixonada por esse livro! beijos , Zí

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